segunda-feira, 27 de maio de 2013

Kentaro Oda - Um grande mestre espadeiro




Sara Minamoto ganhou seu Daishō de um grande mestre espadeiro. Ela assim descreve o episódio em suas memórias:

“O mestre espadeiro chamava-se Kentaro Oda.

“Ele era uma sumidade na forja de espadas. Descendia de uma família de hábeis samurais cuteleiros, cujas gerações haviam transmitido os macetes e segredos da nobre profissão. Meu pai me contou que Kentaro Oda gozava da reputação de ser o melhor do mundo em sua arte de ferreiro. Um artífice que possuía a fama de fabricar espadas perfeitamente ajustadas à personalidade e aos dotes físicos dos clientes. A cada um, uma espada diferente, ele dizia. No Japão, isso ainda hoje é tido como uma verdadeira habilidade espiritual, mais importante que o talento técnico na produção de armas tão personalizadas e únicas quanto impressões digitais.

“Quando estávamos distraídos, olhando aquela oficina bagunçada, o velho surgiu e andou ao nosso redor, como que estudando a situação ou sei lá o que. Foi mágico desde aquele momento em diante. E depois ele moveu-se em nossa direção, encurvado e silencioso. Apesar da idade avançada, o espadeiro parecia levitar com os pés rentes ao chão. Meu avô Yamato dizia que no Oriente as pessoas, quando envelhecem, adquirem leveza corporal e espiritual; no Ocidente, bem ao contrário, ficam mais pesadas e pesarosas com a idade.
“Naquele momento, presenciávamos a visão de um ser espiritual, assim pensei na ocasião; mas as roupas esquálidas do ofício o denunciavam como um homem real, antigo e muito trabalhador.
“Na aparência era um monge shaolin: rosto ovalado e sobrancelhas algodoadas; cabelos ralos e brancos, parecendo filetes de seda; a barba filosófica se esvanecia do queixo, feito um vapor se desprendendo dele constantemente; os olhos eram intensos, rutilantes, como se uma luz interior lhe vazasse das pupilas.
“O velho flanou até nós, portando debaixo do braço o que parecia ser um objeto alongado, fino e embrulhado numa manta vermelha de linda tecelagem.”


E junto com suas belas espadas, Sara recebeu do mestre ferreiro um aviso sinistro:

"— Eles estão voltando... Os Arcanos da Guerra... Eles estão com você, filha — disse numa voz roufenha e profética.
Aquelas palavras soaram cifradas aos ouvidos de Sara, que ainda ouviu o espadeiro completar:
— A hora do terror se aproxima!
Um longo arrepio atravessou o corpo de Sara.
— Mudanças drásticas já estão a caminho... Um tempo de ruínas e desesperanças se avizinha... Os espíritos guerreiros, sabedouros do que haverá de se lançar sobre o mundo, estão mobilizados e apreensivos."


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