quinta-feira, 9 de maio de 2013

Primeiras aparições dos Horgs


A cena a seguir foi extraída do livro Jogos Universais e descreve um dos primeiros encontros de Sara Minamoto com um espécime cibernético altamente letal - um horg!


"Sara agora estava com uma cara de quem imaginava tantas coisas no momento em que escutou um zunido no ar. Girou a cabeça rapidamente na direção do som, quando viu o que não gostaria de ter presenciado outra vez, muito menos ali dentro, um lugar tão sagrado para ela: um horg se materializara bem no meio da arena!

Como traje de combate, a criatura robusta envergava uma couraça inorgânica de aparência antiga e pesada, toda negra, com saliências em cinza e vermelho nas laterais das coxas, onde grandes músculos se destacavam. Cobrindo-lhe o tórax protuberante, uma placa peitoral cravejada de pontas metálicas eriçava em parte sua compleição vigorosa e hostil. A armadura exibia ainda componentes orientais, pictogramas e símbolos misteriosos. A cabeça do ser era guarnecida por um capacete de samurai, formidável à sua própria maneira. Nas mãos, usava espessas manoplas escalopadas que lhe cobriam até os antebraços, em grande estilo. Como armamento letal, o guerreiro empunhava uma katana solitária que se coadunava perfeitamente com o envoltório blindado de todo o seu porte grotesco e amedrontador.

Sara respirou fundo. Estava outra vez diante de um horg.

Todo o seu corpo começou a reagir, preparando-se para o combate iminente. Seus nervos e músculos entraram num acordo para seguir adiante com aquilo sem surtar. A luta era inadiável, ali mesmo e no instante em que viu o avatar se aproximar, resoluto e imponente em sua figura assustadora. Ela foi se afastando dele sem o perder de vista. Mantinha uma distância cautelosa enquanto assumia posição de defesa ao se deslocar: suas pernas se prontificaram e seu braço direito se ergueu involuntariamente, como que dotado de vida própria, desembainhando uma espada imaginária. Mas foi justamente o reflexo defensivo que a repôs na ordem do perigo. Sua mente então alternou, rapidamente retomando a realidade: ela estava inteiramente desarmada! — sem dúvida, uma má hora.

— Deus... E agora? Pensa rápido! Pensa rápido! — foi pressionando a si mesma, andando de lado, circundando o avatar armado e em vias de atacá-la. As circunstâncias ditavam um plano urgente.

O horg não esperou mais. A lâmina de sua espada reluziu e cortou o ar, sibilando na direção da cabeça de Sara, que, ainda mais rápida do que o golpe mortal desferido contra ela, forçou seu corpo para baixo. Foi também o tempo mínimo de salvar-se, agachando-se e rolando de lado sobre o piso. Ela se ergueu a alguns metros dali, entretanto permitindo aos sensores do avatar registrarem sua localização precisa, o ponto-alvo em que o horg atacou novamente com a katana.

O monstro viu em resposta ao golpe a garota saltar numa cambalhota circense, deixando atrás de si o som seco de uma das colunas do templo atingida em cheio, e bem no lugar antes ocupado por ela.

Sara foi parar de pé ao fim do salto acrobático. O fluxo de adrenalina aumentou em seu sangue, pulsando forte dentro do seu cérebro e aguçando sua percepção. Isso ajudou a mente da garota a ativar uma conexão tática: “O fundo falso do armário do kamiza... É lá que o mestre esconde o tachi a que se referiu na carta. O sabre ainda deve estar lá... Mas como vou apanhá-lo agora?... Preciso de um plano, e rápido!”.



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