segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Janet Airlines

Vista aérea da famosa Área 51

Paul esclareceu:
            — A Janet Airlines é a “companhia aérea” que serve às bases secretas americanas. Faz o translado de empreiteiros e cientistas até a Área 51, por exemplo, e ainda outras instalações governamentais sigilosas. Normalmente, os aviões são Boeings 737 ou 727, sem identificação ou insígnia na fuselagem branca, sempre com faixas laterais vermelhas e janelas escuras. Pelo visto, já temos em andamento uma operação em larga escala. Provavelmente com o envolvimento da DIA, a agência que trata de assuntos militares internacionais. Mais uma vez, isso não está claro, mesmo para nós da CIA. O governo oculto está agindo?


Avisos nas proximidades da base aérea de Nellis.
Janet Airlines

Os novos "Waza" - II


Naquele dia, Sara carregou para baixo o som portátil. Conectou na saída de áudio duas potentes caixas de som, que foram instaladas de tal modo na garagem que as propriedades acústicas do pavilhão de pedra e concreto repercutiam a música em cada centímetro quadrado, sem contudo perder intensidade nem produzir distorções.
Tudo estava pronto para mais uma sessão de treinamento dos novos waza.
Sara selecionou, dentre as canções da playlist, a faixa “Beat It”, que tocou no volume máximo.
“Uma manhã, fiz diferente. Treinei ao som de música. E escolhi ‘Beat It’ para executar meus‘waza’ porque o contexto do clipe da música envolvia gangues rivais prestes a entrar em pancadaria. Pairava no ar uma tensão de luta em potencial, bem adequada às circunstâncias que eu estava vivendo na época. Eu já tinha confrontado um horg e me preparava para outro enfrentamento com aquelas criaturas apavorantes. Sabia, dentro de mim, que isso iria acontecer em breve, a qualquer momento. Eles podiam surgir ali mesmo na garagem.
“A música refletia o meu estado de espírito. Eu já sentia o meu corpo com precisão, cada parte dele no pleno domínio marcial dos meus movimentos e recursos naturais... Porém meu pensamento não estava de acordo, parecia deslocado com o peso emocional de estar numa fase da minha vida em que nada parecia querer colaborar para as coisas voltarem ao normal.
“Naquele momento, a música que tocava era a metáfora quase perfeita do que eu sentia e vivia na minha alma e nos meus nervos."
A batida da música começou a vibrar e inundou o grande vão subterrâneo. Propagou-se repleta de energia assim que soou estimulante, ocupando espaços antes vazios e dormentes.
O palco e a trilha estavam prontos para o verdadeiro e inusitado show que viria a seguir.
Ela posicionou seus pés, bem firmes, no pavimento de concreto da garagem. E desembainhou a katana e a wakizashi. Cruzou as belas espadas na altura dos pulsos. Portava o daishō fighting spirit que Kentaro Oda lhe presenteara misteriosamente. Seus novos waza exigiam dela o uso das formidáveis armas, destinadas a combates reais e mortais!
Assim ficou concentrada.
Parecia um começo de coreografia em que todo o seu corpo aguardava em prontidão ansiosa.
A batida introdutória da música de repente fez pulsar o ambiente inteiro: em resposta, Sara descruzou as espadas e as foi girando nas mãos, enquanto ela ainda aguardava... 
Não precisou esperar mais, os acordes soaram vibrantes, o riff principal da guitarra repercutiu nos paredões cavernosos da garagem; a vibração sonora excitou cada terminação nervosa do corpo de Sara. Ela sentiu um arrepio eletrizante percorrendo-lhe a espinha, fazendo girar todos os seus chacras. Aquilo tudo ativou os centros energéticos do seu corpo e aguçou sua vontade de lutar!
Neste exato momento seus olhos se abriram e brilharam como nunca. E ela correu para iniciar seu incrível recital aéreo.
Mais a diante, as estrofes da música estremeceram o ar, junto com o corpo da garota em movimento alucinante:

They told him don't you ever come around here
Don't wanna see your face, you better disappear
The fire's in their eyes and their words are really clear
So beat it, just beat it (…)

A primeira técnica que Sara aplicou era a sua favorita: o en-waza. Consistia da inversão vertical do movimento em pleno ar, um loop completo no giro de 360º do corpo. A ação louca acontecia assim que ela encontrava pela frente uma parede, uma coluna ou que mais fosse que lhe permitisse tomar impulso com os pés. Com isso, impelia seu corpo num grande rodopio acima, para em seguida retornar ao chão, onde exercitava o rolamento corporal até ficar em pé como se nada tivesse acontecido. Mas antes disso, ainda no ar, sua trajetória voadora desferia o corte fulminante das espadas duplas, a voluta do aço zunindo como um enxame de agulhões mortais!...

You better run, you better do what you can (…)





Nos dias seguintes, Sara voltou a treinar seu assustador arsenal de golpes e estocadas. E ainda mais intensamente do que antes.
Lorena soprou a novidade ao ouvido do “tio Mása”. Então Masaharu Minamoto, numa tarde de folga no trabalho, desceu à garagem a tempo de presenciar as cenas mais espetaculares que já vira no mundo das contendas marciais: a filha lá treinava, conforme delatara Lorena, ensaiando sua arte aérea e clandestina, com uma dinâmica impossível. Até parecia contrariar os princípios da gravidade dos sólidos, derrogando justamente as leis da Física que ele tão bem conhecia.
Ficou parado presenciando a cena, até que Sara o detectou no seu radar mental. Ela interrompeu-se para ir ter com o pai. Desceu das alturas em sua miragem de anjo armado. Aterrissou perante um Masaharu perplexo. Fitou-o, quase simultaneamente ao ato de depor suas espadas numa cadeira. Apanhou uma toalha e secou a transpiração do rosto e do peito.
— Que foi isso que testemunhei, Sara-chan?! — a voz lhe saiu fraca, como se um resto de estupor o inibisse. — Pensei que estas coisas só eram possíveis na trucagem do cinema?
— Às vezes, pai, a realidade necessita ir além da ficção — ela respondeu com um leve ofegar em sua respiração.
***
Mesmo o professor Minamoto, grande aficionado das artes samurais, passou a preocupar-se com a atitude da filha. Porém adotou o estratagema da “observação casual e incerta”: chegava sem avisar e saía sem ser percebido.
Foi quando o “diabinho amigo” soprou nos ouvidos de Sara. Encarapitado em seu ombro e imitando a voz afobada de Lorena, ele repetiu como num estribilho em sua mente: “Muda de música e de vida!... Muda de música e de vida!...”.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Os novos "Waza" - I


“As técnicas secretas começam com as técnicas básicas;
as técnicas básicas terminam como técnicas secretas.
Não há segredos no começo, mas há segredos no final.
A chave do sucesso é o treinamento árduo.”
Kanten Toyama, mestre de Karate-dō.


Ela desceu a escada do subsolo, dirigindo-se à garagem. Lá embaixo, deslumbrou-se com a amplidão mista de concreto e pedra assim que o sensor de proximidade detectou sua presença. Se desse um suspiro, ouviria o eco da sua palpitação ali dentro. E ficou olhando, admirada, para as colunas altas e robustas que respaldavam as paredes e sustentavam o teto feito obeliscos rústicos. O cérebro da garota imediatamente começou a avaliar espaços e possibilidades diante daquele...



“...lugar provocante que eu soube, assim que o vi pela primeira vez, seria muito especial para mim. Lorena diria um tempo depois que era a minha ‘Batcaverna’, o meu esconderijo de pedra e solidão. Foi o espaço propício e subterrâneo para eu executar as ideias que vinha desenvolvendo há algum tempo, mas que sempre estiveram na minha cabeça até então. Naquela garagem comecei a treinar meus novos ‘waza’, técnicas aéreas de combate inteiramente desenvolvidas por mim.
            “Na verdade, inicialmente não passavam de uma coisa louca imaginada, pois eu nunca havia testado aquilo tudo na prática; mas precisava ser concretizado, eu sentia. A hora havia chegado e aquela enorme garagem ajudaria nisso e muito mais."

Acima de tudo, ela almejava uma base ainda mais sólida para o encaminhamento principal: dominar plenamente seus waza secretos, as inovações técnicas de combate que ela mesma vinha elaborando em sua mente criativa e ousada. Pois algo intimamente lhe dizia que “Agora é pra valer, Sara!”. O mundo logo se tornaria um lugar demasiado ruim de habitar. E não havia mais tempo a perder.
O momento apoteótico veio logo. Foi quando ela lançou mão das inigualáveis armas: a “Ode de Oda”, como se referia poeticamente ao daishō “fighting spirit”. Todos os dias a garota conduzia suas espadas magníficas, descendo da confortável e perfumada suíte do segundo andar do casarão, para, na espartana academia subterrânea, executar com elas o alucinante balé dos seus waza em ação. Sara treinou sem tréguas e até a exaustão, culminando com o padrão neurológico do aprendizado fixado, mas respeitando sempre o princípio das adaptações bioquímicas e fisiológicas da sua própria individualidade biológica. Foi bem assim que ela, no esconderijo da garagem, refinou dia a dia suas novas habilidades e mesmo os antigos pendores marciais.


Daishō “fighting spirit”

“O cerco estava se fechando... Eu sentia vagando no ar uma sensação ruim. As coisas haviam se complicado bastante, e a hora de dar uma guinada radical nas minhas práticas havia chegado. Se quisesse enfrentar o que estava por vir e sobreviver inteira, então precisava fazê-lo. Uma voz me dizia quase que o tempo todo: prepare-se!
“Então eu descia à garagem todo dia para me exercitar de manhã à tardinha. Para começar, praticava o kendō-kata básico, utilizando um sortimento de espadas e bastões de madeira; e isso independentemente do estágio ou grau em que me encontrasse. Lição que absorvi do meu saudoso mestre. E antes de iniciar, fazia meu aquecimento físico. Na sequência, aplicava o ‘suburi’, o forte manuseio da shinai na preliminar, executando uma repetição de cortes muito rápidos, até sentir meus músculos pulsarem feito cordas. Estava então pronta para os treinos mais intensos e arrojados que vinham depois: os meus loucos e perigosos ‘waza aéreos’, e já utilizando minhas espadas verdadeiras na ocasião!
“Com isso eu dava continuidade ao desenvolvimento das minhas próprias e exclusivas técnicas de combate. Eu as fui desenvolvendo dia a dia. Uma prática que redefiniu um estilo diferente e tremendamente agressivo de lutar com as espadas. Minha inspiração veio do Parkour que o pessoal exercitava nas praças de Porto Alegre. Eles ficavam saltando, correndo e se empoleirando em tudo que viam pela frente como se fosse a coisa mais natural e fácil do mundo. Fiquei fascinada. Estudei ainda as manobras dos corredores livres, os chamados ‘ninjas urbanos’. Por fim juntei tudo numa só coisa: Kenjutsu, Parkour e corrida livre e outras gingas marciais que eu mesma fui inventando naqueles dias. No final, saiu um ofensivo coquetel de disciplinas de equilíbrio, força, destreza e mais a arte do deslocamento. Foi de tirar o fôlego!"

Parkour 

“Meu método de combate obtinha o máximo proveito da interação entre a técnica e os elementos do próprio entorno da luta, fosse o que fosse e onde fosse. A esta altura, eu já havia extrapolado, decididamente, as instruções dos ‘kata’ prescritos pelo Kendō oficial.
“Apesar da minha loucura, eu tinha plena consciência de uma coisa ao menos: estava rompendo com as determinações do padrão estabelecido pela ‘Federação de Kendō de Todo o Japão’, o órgão máximo que regula tudo internacionalmente. E a partir deste trecho do Caminho em diante, eu só pude contar comigo mesma, houvesse luz ou escuridão. Então comecei a fazer outra viagem marcial... solitária e muito perigosa!
“Tudo o que eu sentia é que precisava fazê-lo. Foi como uma ordem, sem direito à negociação ou desobediência. Aquilo envolvia uma verdadeira redefinição do meu senso de espaço, volume, rapidez e perspectiva do modo com que havia treinado por anos, em cima dum tatame tradicional. Eu havia forjado a reprogramação do meu corpo inteiro, junto do desenvolvimento da minha alta percepção daquilo que me cercava, sem mesmo enxergar os objetos com a visão física.
“Mas se era para romper com as regras tradicionais e ousar nas alturas, nas paredes e em tudo mais que se parecesse com um obstáculo útil e propício, ou um adversário, enfim, eu precisava também reaprender a dominar o centro de gravidade do meu corpo ao me aventurar no ar. É algo que varia com a posição da cabeça e dos membros, quando se está lá em cima e em movimento contínuo. Precisei aperfeiçoar a biomecânica do meu corpo completamente, ensaiar manobras de aterrissagem, distribuir a carga do meu peso tanto no ar quanto no chão, e ainda dissipar a energia cinética ao voltar ao solo com tudo. E, detalhe: portando duas espadas afiadíssimas! Loucura, eu sei, mas foi também uma façanha física sem igual."


Ippon Shobu


Na academia Budōkan, às vezes o mestre exibia suas belas e elegantes armas perante alunos boquiabertos. Com elas demonstrava alguns kata (movimentos predefinidos) aos olhos admirados deles. Também as utilizava nas sessões de ippon shobu, os duelos com espadas verdadeiras e restritos aos sempais, os mentores mais experientes e de maior grau marcial no dojō.



“Quando eu completei vinte anos, e só depois do meu pai autorizar por escrito, o Sensei me permitiu entrar no grupo dos alunos mais avançados, os únicos que podiam treinar com espadas verdadeiras.
“Embora eu desejasse muito fazer aquilo, tremi na hora! Na minha estreia utilizando a katana, confesso que senti medo. Naquele dia, cada um de nós teve que enfrentar o Sensei. O mestre não iria me ferir de propósito, mas acontece que o gume afiado em movimento era aterrorizante. Ainda mais porque eu não me sentia nada segura com aquilo. Eu podia ser a causa de um acidente fatal comigo mesma, era o que eu mais pensava e temia na verdade.




         “No meu primeiro ‘ippon shobu’, precisei parar para respirar em várias ocasiões, enquanto ouvia as reprimendas do Sensei: ‘Yame! (pare!) O problema todo, Sara, é que você está pensando... pensando muito enquanto luta! Desse jeito não vai alcançar a perfeição da esgrima... Yame! Você não pode lutar e focar ao mesmo tempo nos pormenores do que está fazendo. A consciência fragmenta-se com tantos detalhes para lidar, é a mente errante atuando e deixando brechas durante a luta! Sua mente precisa fluir ao natural... Yame! Corrija sua postura de pés, você vacila ao se movimentar no tatame!... Yame! Faça uso do ‘zanshin’, a mente remanescente... A espada e o seu corpo pensarão e agirão por você automaticamente!... Apenas siga o espírito da espada na sua senda natural... Isso é a essência do estilo Seishindō-Ryu Kenjutsu que minha família vem ensinando há séculos. E nisso não difere do Kobudō que praticamos todos os dias com a shinai, lembra? Então encare tudo como uma dança na qual você é conduzida pela espada. O espírito da espada é mais sábio do que nós, não tente guiá-lo; apenas deixe-se levar por ele!’"

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Kendō



O Kendō é uma modalidade de arte marcial moderna e significa “Caminho da Espada”. Assim foi declarado em 1919 pela organização unificadora das artes marciais no Japão, país de onde se originou. As antigas artes da esgrima samurai, antes conhecidas como gekken e ainda kenjutsu, foram então renomeadas Kendō, e sua prática assumiu uma conotação mais “desportiva”.


Para trilhar o Caminho verdadeiramente, o caminhante precisa adotar certas regras de ação e desempenho, o que não raro significa ter de mudar sua visão de mundo e seu estilo de vida. Pois o Kendō compreende não apenas normas práticas; ele também envolve preceitos e posturas que podem ser aplicados tanto ao comportamento individual quanto a qualquer meio social ou situação da vida. Esta é a grande joia do Kendō. E, imbuído deste propósito, o Sensei buscará transmitir ao kenshi (aluno ou praticante) não apenas as técnicas tradicionais de combate que os samurais do Japão feudal haviam desenvolvido; mais que isso, o mestre fará com que seus orientandos também tenham acesso ao Budō, o “Caminho Marcial”, a dimensão mais elevada, que enfatiza os aspectos físicos, mentais, espirituais e pacíficos do Kendō.


Com isso, o Kendō atual mantém fortes vínculos com as antigas tradições japonesas. Ao mesmo tempo, empenha-se em legar às novas gerações o conjunto de seus valores mais caros, como agilidade, velocidade, eficiência física e mental, confiança em si sem soberba, autodisciplina e autocontrole, bem-estar e paz interior, tudo convertido em camaradagem social e numa constante atitude positiva perante o mundo e seus desafios.

            Aos 10 anos de idade, Sara Minamoto iniciou-se no Kendō sob a orientação do Sensei Hiro Akimura, grande mestre samurai:


“Foi também por esta época que intensifiquei as minhas ‘ocupações maníacas’, as ‘austeridades fanáticas’, como dizia minha mãe a respeito da minha entrega apaixonada ao Kendō, e já se referindo à minha falta de convívio com as pessoas.
“Meu mestre dizia: é preciso alcançar o propósito mais elevado do Kendō: paz, visão, ética, concentração e o claro discernimento das coisas. É preciso entender bem: o Budō é a virtude marcial, acima de toda e qualquer técnica instrumental. E tal virtude conduz à iluminação da mente. O elemento chave de todo o treinamento, ele enfatizava seguidamente, reside no conceito de postura mental correta. De modo que você pode ter, com uma espada em ação, a mesma experiência profunda do Buda sentado inerte debaixo da figueira. Até parece misticismo, mas não é.

Dojō (ambiente de treino do Kendō). 

“Eu estava começando a engatinhar na minha vereda marcial quando iniciei os treinamentos mais fortes, sob a tutela de meu mestre, Hiro Akimura. Com ele aprendi que existem algumas barreiras mentais profundas a ultrapassar antes de tudo, também conhecidas como os “quatro venenos do Kendō”: o medo, a dúvida, a surpresa e a confusão. E depois, quando se começa a seguir pelo ‘Caminho’, a gente descobre que é uma estrada que a tudo transcende na vida e mais além. Portanto, é fundamental a presença de um bom mestre para guiar nossos passos, especialmente no início, quando se sente a tentação de não persistir. Imprescindível então a diretriz de um Sensei maduro e experiente que nos instrua e mostre o rumo certo e os pontos importantes, sem extravios nem excessos. Nesse aspecto, meu mestre dizia que uma das tarefas do professor era ajudar os alunos a alinhar três elementos complementares: Shin (o espírito), Gi (a técnica) e Tai (o físico). Se conseguissem isso, teriam êxito no Caminho. Ele usava uma expressão japonesa: ‘Shin gi tai-no-ichi’, que integra tudo isso numa natureza ou estado único, com cada princípio refletindo o outro. Eu achava na época, e ainda penso igual hoje em dia, que isso é algo simplesmente maravilhoso.


“Para mim, o Kendō estava modelando uma vida nova, a minha vida nova. Havia me dado um objetivo e um propósito. Pela primeira vez, eu me sentia fazendo parte de algo bom e importante. E me sentia feliz e recompensada por isso. Era como água encontrando um meio de fluir. Foi mais... foi uma transformação radical, de água em vinho!”

            No Kendō, a espada tradicional do samurai, a Katana, é substituída pela Shinai, feita de bambu.

Shinai

Assustado, grandão? Sei que eu intimido com a espada!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Bushidō





Bushidō significa "Caminho do Guerreiro" ("bushi" = guerreiro e "do" = caminho), e pronuncia-se Bushidô.

Um autêntico Bushi do Japão Feudal.


Os samurais do passado seguiam o seu Caminho, este compreendido por um rígido código de conduta, honra e lealdade. Mas o caminho em si não era propriamente físico, e sim espiritual e filosófico, muito embora os samurais empregassem as artes marciais para consolidá-lo neste mundo, adestrando mente e corpo no processo de aplicação dos seus conceitos abstratos. 

E o conjunto das antigas técnicas de combate por eles dominadas é dito Kobudō.

Os guerreiros samurais empregavam um conjunto de técnicas marciais altamente letais.

Porém, dentre todas as armas, a espada era a mais emblemática para um samurai. Ela representava a vida e a essência da doutrina aplicada do Bushidō.



O Bushidō possuía fortes influências do Confucionismo, Xintoísmo e Budismo. Sobretudo, visava à elevação moral e espiritual do guerreiro praticante, muito mais do que o domínio marcial em si. O desapego permeava o Bushidō, de modo que um samurai compreendia muito bem a transitoriedade da vida. Um dos símbolos samuraicos era a flor de cerejeira, em razão da sua efemeridade na natureza. 

O Caminho do Guerreiro era a sua alma.

O Bushidō ressalta ainda virtudes superiores como o dever à pátria, o respeito familiar, a reverência aos antepassados, a coragem, a lealdade aos seus pares e chefes. Uma espécie de "Um por todos e todos por um" vivenciado em pleno Japão Feudal.

Estamos com você; mas você está conosco?