sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Kendō



O Kendō é uma modalidade de arte marcial moderna e significa “Caminho da Espada”. Assim foi declarado em 1919 pela organização unificadora das artes marciais no Japão, país de onde se originou. As antigas artes da esgrima samurai, antes conhecidas como gekken e ainda kenjutsu, foram então renomeadas Kendō, e sua prática assumiu uma conotação mais “desportiva”.


Para trilhar o Caminho verdadeiramente, o caminhante precisa adotar certas regras de ação e desempenho, o que não raro significa ter de mudar sua visão de mundo e seu estilo de vida. Pois o Kendō compreende não apenas normas práticas; ele também envolve preceitos e posturas que podem ser aplicados tanto ao comportamento individual quanto a qualquer meio social ou situação da vida. Esta é a grande joia do Kendō. E, imbuído deste propósito, o Sensei buscará transmitir ao kenshi (aluno ou praticante) não apenas as técnicas tradicionais de combate que os samurais do Japão feudal haviam desenvolvido; mais que isso, o mestre fará com que seus orientandos também tenham acesso ao Budō, o “Caminho Marcial”, a dimensão mais elevada, que enfatiza os aspectos físicos, mentais, espirituais e pacíficos do Kendō.


Com isso, o Kendō atual mantém fortes vínculos com as antigas tradições japonesas. Ao mesmo tempo, empenha-se em legar às novas gerações o conjunto de seus valores mais caros, como agilidade, velocidade, eficiência física e mental, confiança em si sem soberba, autodisciplina e autocontrole, bem-estar e paz interior, tudo convertido em camaradagem social e numa constante atitude positiva perante o mundo e seus desafios.

            Aos 10 anos de idade, Sara Minamoto iniciou-se no Kendō sob a orientação do Sensei Hiro Akimura, grande mestre samurai:


“Foi também por esta época que intensifiquei as minhas ‘ocupações maníacas’, as ‘austeridades fanáticas’, como dizia minha mãe a respeito da minha entrega apaixonada ao Kendō, e já se referindo à minha falta de convívio com as pessoas.
“Meu mestre dizia: é preciso alcançar o propósito mais elevado do Kendō: paz, visão, ética, concentração e o claro discernimento das coisas. É preciso entender bem: o Budō é a virtude marcial, acima de toda e qualquer técnica instrumental. E tal virtude conduz à iluminação da mente. O elemento chave de todo o treinamento, ele enfatizava seguidamente, reside no conceito de postura mental correta. De modo que você pode ter, com uma espada em ação, a mesma experiência profunda do Buda sentado inerte debaixo da figueira. Até parece misticismo, mas não é.

Dojō (ambiente de treino do Kendō). 

“Eu estava começando a engatinhar na minha vereda marcial quando iniciei os treinamentos mais fortes, sob a tutela de meu mestre, Hiro Akimura. Com ele aprendi que existem algumas barreiras mentais profundas a ultrapassar antes de tudo, também conhecidas como os “quatro venenos do Kendō”: o medo, a dúvida, a surpresa e a confusão. E depois, quando se começa a seguir pelo ‘Caminho’, a gente descobre que é uma estrada que a tudo transcende na vida e mais além. Portanto, é fundamental a presença de um bom mestre para guiar nossos passos, especialmente no início, quando se sente a tentação de não persistir. Imprescindível então a diretriz de um Sensei maduro e experiente que nos instrua e mostre o rumo certo e os pontos importantes, sem extravios nem excessos. Nesse aspecto, meu mestre dizia que uma das tarefas do professor era ajudar os alunos a alinhar três elementos complementares: Shin (o espírito), Gi (a técnica) e Tai (o físico). Se conseguissem isso, teriam êxito no Caminho. Ele usava uma expressão japonesa: ‘Shin gi tai-no-ichi’, que integra tudo isso numa natureza ou estado único, com cada princípio refletindo o outro. Eu achava na época, e ainda penso igual hoje em dia, que isso é algo simplesmente maravilhoso.


“Para mim, o Kendō estava modelando uma vida nova, a minha vida nova. Havia me dado um objetivo e um propósito. Pela primeira vez, eu me sentia fazendo parte de algo bom e importante. E me sentia feliz e recompensada por isso. Era como água encontrando um meio de fluir. Foi mais... foi uma transformação radical, de água em vinho!”

            No Kendō, a espada tradicional do samurai, a Katana, é substituída pela Shinai, feita de bambu.

Shinai

Assustado, grandão? Sei que eu intimido com a espada!

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