domingo, 17 de agosto de 2014

O chip da IBM que imita a mente humana




Inspirados na arquitetura do cérebro, cientistas desenvolveram um novo tipo de chip de computador que não usa mais energia que um aparelho auditivo e pode eventualmente resolver cálculos que desafiam super computadores de hoje.

O chip, ou processador, é chamado de True North, foi desenvolvido por pesquisadores da IBM e detalhado num artigo publicado na quinta-feira na revista Science. Ele procura imitar a maneira como cérebros reconhecem padrões, apoiado em malhas densamente interligadas de transistores semelhantes às redes neurais do cérebro.

Os “neurônios” eletrônicos do chip conseguem sinalizar para outros quando um tipo de dados – a luz, por exemplo – ultrapassa um certo limiar. Trabalhando em paralelo, os neurônios começam a organizar os dados em padrões sugerindo que a luz está ficando mais brilhante, ou mudando de cor ou forma.



O processador consegue assim reconhecer que uma mulher num vídeo está pegando uma bolsa, ou controlar um robô que está enfiando a mão num bolso e retirando uma moeda. Humanos conseguem reconhecer esses atos sem um pensamento consciente, mas os computadores e robôs atuais têm dificuldade de interpretá-los.

O chip contém 5,4 bilhões de transistores, mas consome meros 70 miliwatts de energia. Por comparação, os modernos processadores Intel em computadores pessoais e centros de processamento de dados de hoje podem ter 1,4 bilhão de transistores e consumir bem mais energia – 35 a 140 watts.

O True Northt tem um milhão de “neurônios”, quase tão complexo como o cérebro de uma abelha.

“Esta é uma realização notável em termos de escala e baixo consumo de energia”, disse Horst Simon, vice-diretor do Lawrence Berkeley National Laboratory.

Horst Simon


Ele comparou o novo projeto ao advento de supercomputadores paralelos nos anos 1980 que, como recordou, foi como passar de uma estrada de pista dupla para uma grande rodovia.

Computação Cognitiva

A nova abordagem de projeto, referida como computação neuromórfica ou computação cognitiva, ainda está em sua infância e os chips IBM ainda não estão comercialmente disponíveis. Mas o projeto provocou um vigoroso debate sobre a melhor abordagem para acelerar as redes neurais cada vez mais usadas em computação.


Nos últimos anos, companhias como Google, Microsoft e Apple recorreram ao reconhecimento de padrões por meio de redes neurais para melhorar em muito a qualidade de serviços como reconhecimento de fala e classificação de fotos.

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